Nesta edição

 

 

🛢️  Brent bate US$ 119: Irã ataca refinarias em quatro países e o conflito muda de patamar

💥  GNL do Catar em risco: ataques a Ras Laffan ameaçam um quinto do gás natural global

🇺🇸  Trump ameaça destruir South Pars e EUA avaliam liberar petróleo iraniano estocado

📊  Ibovespa reverte queda de 2% e fecha positivo aos 180.270 pontos; dólar cai para R$ 5,21

🏦  Copom: comunicado indica abertura para corte de 0,50 ponto em abril se conflito arrefecer

🧭  O que fazer com a carteira diante de um choque de energia estruturalmente mais alto

 

 

O contexto do dia

O conflito no Oriente Médio cruzou uma linha importante na quinta-feira (19). Até então, o principal risco para os mercados era logístico: o bloqueio do Estreito de Ormuz ameaçava o transporte de petróleo, mas a produção em si permanecia intacta. A partir de ontem, isso mudou. O Irã atacou instalações de produção de energia em quatro países, incluindo o maior complexo de gás natural liquefeito do mundo, localizado no Catar. O conflito deixou de ser um problema de rota e passou a ser um problema de oferta.

O petróleo Brent chegou a US$ 119 por barril na manhã de quinta-feira, alta de mais de 10% em relação ao fechamento anterior. O gás natural na Europa disparou 35% no início da sessão. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sinalizou a possibilidade de liberar petróleo iraniano estocado em navios para aumentar a oferta global, o que ajudou a desacelerar o movimento ao longo do dia, com o Brent recuando para a faixa de US$ 108 no fechamento.

No Brasil, o Ibovespa abriu com queda de quase 2%, chegou a 176.815 pontos, mas reverteu o movimento e fechou em leve alta, aos 180.270 pontos. O dólar recuou para R$ 5,21. O mercado digeriu tanto a nova escalada geopolítica quanto o comunicado do Copom da véspera, que, apesar de cauteloso, abriu espaço para um corte mais amplo em abril se as condições externas melhorarem.

 

 

🛢️ INTERNACIONAL

Brent atinge US$ 119: o conflito saiu do Estreito e entrou nas refinarias

O petróleo Brent atingiu US$ 119,13 por barril na manhã de quinta-feira, alta superior a 10% em relação ao fechamento de quarta, quando estava em torno de US$ 107. O movimento foi desencadeado por uma sequência de ataques do Irã a instalações de produção de energia em quatro países do Golfo Pérsico: Catar, Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.

Os ataques representam uma mudança qualitativa no conflito. Até esta semana, o principal risco energético era logístico: o bloqueio do Estreito de Ormuz ameaçava o transporte de petróleo, mas a capacidade de produção nos países do Golfo permanecia intacta. Com os ataques a refinarias e campos de gás, o problema passa a ser de oferta, não apenas de escoamento. O mercado precificou essa diferença com velocidade.

Ao longo do dia, o Brent recuou para a faixa de US$ 108 após o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sinalizar que os Estados Unidos podem liberar petróleo iraniano estocado em navios para aliviar a pressão sobre a oferta global. A medida ajudou a reduzir a volatilidade, mas o patamar continua bem acima do nível pré-conflito de US$ 70.

Por que isso importa para você?  O choque de oferta muda o perfil do risco inflacionário. Enquanto o problema era apenas logístico, havia esperança de normalização rápida. Com refinarias danificadas e campos de gás atingidos, a pressão sobre os preços de energia pode ser mais duradoura. Para o investidor, isso significa que a proteção inflacionária na carteira deixou de ser precaução e passa a ser necessidade.

 

💥 INTERNACIONAL

GNL do Catar ameaçado: ataques a Ras Laffan expõem um quinto do gás natural global

A instalação de Ras Laffan, no Catar, é o maior complexo de gás natural liquefeito do mundo, responsável por aproximadamente um quinto da oferta global de GNL. Na noite de quarta-feira (18), mísseis iranianos atingiram o complexo, causando o que a QatarEnergy descreveu como "danos extensos". O gás natural na Europa disparou 35% na reabertura dos mercados.

O ataque iraniano foi uma resposta ao bombardeio israelense ao campo de gás de South Pars, compartilhado pelo Irã e pelo Catar, e que é o maior depósito de gás natural do mundo. Israel realizou o ataque ao componente iraniano do campo, mas a retaliação do Irã atingiu também as instalações do lado qatari, arrastando para o centro do conflito um país aliado dos EUA e sede de uma das maiores bases militares americanas na região.

O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou que caso o Irã ataque novamente o Catar, os Estados Unidos destruirão integralmente o campo de South Pars. A declaração elevou o risco de uma nova escalada e manteve o mercado de energia em estado de alerta máximo.

Por que isso importa para você?  O GNL do Catar abastece Europa, Japão, Coreia do Sul e partes da Ásia. Qualquer interrupção prolongada eleva os custos de energia em economias desenvolvidas, pressionando inflação global e reduzindo o espaço dos bancos centrais para cortar juros. O canal de transmissão para o Brasil é indireto, mas real: juros externos mais altos por mais tempo reduzem o diferencial de atratividade dos ativos brasileiros.

 

🇺🇸 INTERNACIONAL

Trump ameaça South Pars e EUA avaliam liberar petróleo iraniano estocado

Em publicação em sua rede social, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos destruirão "massivamente a totalidade do campo de Pars Sul" caso o Irã mantenha ataques contra o Catar. A declaração veio horas após os ataques iranianos ao complexo qatari e foi interpretada pelo mercado como um sinal de que o conflito pode se ampliar ainda mais antes de encontrar algum caminho de resolução.

Em paralelo, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, sinalizou que o governo americano avalia a liberação de petróleo iraniano estocado em navios como medida para aumentar a oferta global e conter a alta dos preços. A declaração foi suficiente para reduzir o Brent de US$ 119 para a faixa de US$ 108 ao longo do dia, evidenciando que o mercado ainda responde a sinais de gestão da oferta, mesmo em ambiente de alta incerteza.

O fato de a administração Trump considerar liberar petróleo de um país contra o qual está em guerra revela a dimensão do problema energético que se forma. A pressão sobre os preços é suficientemente séria para que o governo americano avalie medidas que, em qualquer outro contexto geopolítico, seriam politicamente inviáveis.

Por que isso importa para você?  A combinação de ameaça militar crescente com tentativas simultâneas de controle dos preços de energia cria um ambiente de máxima imprevisibilidade. Para o investidor, isso reforça a lógica de não fazer apostas direcionais concentradas em momento de incerteza estrutural, priorizando diversificação e proteção.

 

📊 MERCADOS

Ibovespa reverte queda de 2% e fecha positivo; dólar recua para R$ 5,21

O Ibovespa abriu o pregão de quinta-feira com queda de quase 2%, chegando a 176.815 pontos no pior momento da sessão. A pressão veio da combinação de nova alta do petróleo, repercussão do comunicado cauteloso do Copom e ambiente externo deteriorado. Ao longo do dia, porém, o índice foi recuperando terreno e fechou em leve alta, aos 180.270 pontos, com avanço de 0,35%.

O movimento de reversão foi impulsionado pelo recuo do petróleo após as declarações do secretário Bessent sobre a possível liberação de petróleo iraniano, pela declaração de Israel de que não atacará novamente a infraestrutura energética do Irã a pedido dos EUA, e pela leitura mais cautelosa do mercado sobre o comunicado do Copom. O dólar acompanhou o movimento e fechou em queda de 0,59%, cotado a R$ 5,21.

Entre os destaques do dia, as ações da Hapvida (HAPV3) reverteram uma queda inicial de 14% e fecharam em alta de 13,28%, após a digestão dos resultados do quarto trimestre. A Minerva Foods (BEEF3) liderou as perdas do índice, com queda de 10,23%, após resultado abaixo do esperado. Wall Street fechou no vermelho, com Dow Jones recuando 0,44%, S&P 500 cedendo 0,27% e Nasdaq caindo 0,28%.

Por que isso importa para você?  A reversão do Ibovespa na quinta-feira mostra resiliência técnica do mercado, mas não deve ser lida como virada de cenário. O ambiente externo permanece hostil e volátil. Sessões de forte oscilação intraday são características de mercados sob choque, não sinais de estabilização.

 

🏦 POLÍTICA MONETÁRIA

Comunicado do Copom abre espaço para corte de 0,50 ponto em abril se conflito arrefecer

A leitura mais detalhada do comunicado do Copom divulgado na quarta-feira revelou uma nuance importante que o mercado passou a precificar ao longo da quinta-feira. O texto indica que "o ritmo de afrouxamento monetário poderá ser ajustado, no futuro, à luz das informações que surgirem", frase que o mercado interpretou como uma porta aberta para acelerar os cortes caso o cenário externo melhore.

A interpretação é que o Copom está preparado para reduzir a Selic em 0,50 ponto percentual na reunião de 29 de abril, caso o conflito no Oriente Médio mostre sinais de arrefecimento e o petróleo recue de forma sustentada. O cenário-base, entretanto, continua sendo de corte de 0,25 ponto, dado que a incerteza atual não permite compromissos firmes.

O Banco Central também indicou que sua projeção para o IPCA no horizonte relevante, o terceiro trimestre de 2027, está em 3,3%, abaixo da meta de 3%, o que oferece algum conforto técnico para a condução do ciclo de cortes. A ata da reunião, prevista para a semana que vem, deve trazer mais detalhes sobre o raciocínio do colegiado.

Por que isso importa para você?  Para o investidor de renda fixa, a mensagem é de gradualismo condicionado ao externo. Pós-fixados seguem como âncora segura enquanto a Selic permanece em 14,75%. Quem está em IPCA+ captura tanto o carrego quanto a eventual valorização com a queda dos juros futuros. A ata do Copom na semana que vem será leitura obrigatória para calibrar o posicionamento.

 

🧭 PLANEJAMENTO

O que fazer com a carteira diante de um choque de energia estruturalmente mais alto

A mudança qualitativa no conflito, de um problema logístico para um problema de produção de energia, exige uma revisão das premissas de alocação. Não porque o cenário-base de carteira deva mudar radicalmente, mas porque o intervalo de possibilidades ficou mais amplo e os riscos de cauda ficaram maiores.

Em renda fixa, a lógica permanece: pós-fixados oferecem carrego elevado com risco mínimo de marcação. IPCA+ de prazo intermediário combinam proteção inflacionária com potencial de ganho se os juros futuros recuarem com a eventual resolução do conflito. Prefixados longos continuam pedindo cautela, dado que qualquer nova escalada pode abrir a curva novamente.

Em renda variável, o ambiente de petróleo estruturalmente mais alto beneficia produtoras de energia como Petrobras e Prio, mas prejudica setores intensivos em energia e logística. Para carteiras com exposição internacional, a manutenção de parte dos ativos em dólar segue como proteção estrutural relevante. A volatilidade atual não é momento para concentração de risco, mas para revisão da distribuição entre classes de ativos dentro do perfil já estabelecido.

Por que isso importa para você?  O investidor que tem um plano financeiro bem estruturado não precisa reagir a cada novo desdobramento geopolítico. O que esse ambiente exige é confirmar que as proteções já estão no lugar: inflação coberta, câmbio equilibrado, crédito privado de qualidade. Quem ainda não tem essa estrutura, este é o momento de construí-la, não de esperar o mercado se acalmar.

 

Agenda do dia

 

 

Brasil: mercados fechados amanhã (21) por conta do feriado de Paixão de Cristo. Hoje é o último pregão da semana. Petrobras (PETR4) paga hoje a segunda parcela de dividendos de R$ 0,47 por ação. Itaú tem data-com do JCP de R$ 0,28 líquido por ação nesta quinta.

EUA: pedidos iniciais de seguro-desemprego (resultado: abaixo do esperado, reforçando resiliência do mercado de trabalho e cautela do Fed em novos cortes); venda de casas novas de janeiro; índice de indicadores antecedentes.

Internacional: Banco Central Europeu e Banco da Inglaterra mantiveram suas taxas inalteradas na quinta-feira, citando pressão inflacionária vinda dos preços de energia. A situação no Oriente Médio continua dominando a agenda global.

 

Perspectiva Juros & Bolsa

A semana que encerra hoje foi das mais densas em termos de eventos para os mercados financeiros globais. Copom e Fed decidiram sobre juros, o conflito no Oriente Médio escalou para um novo patamar com ataques a refinarias e campos de gás, e o petróleo chegou a US$ 119 por barril. Para o investidor brasileiro, o saldo é de mais incerteza, juros permanecendo altos por mais tempo e câmbio sob pressão.

O que esse ambiente reforça é uma verdade que vale em qualquer ciclo de mercado: carteiras bem diversificadas, com proteção inflacionária, exposição equilibrada ao câmbio e base em ativos pós-fixados, resistem melhor a choques exógenos do que portfólios concentrados em apostas direcionais. A semana que vem traz a ata do Copom e novos desdobramentos do conflito. Seguimos monitorando.

 

 

 

“Em momentos de crise, o erro mais caro não é o de vender. É o de agir sem um plano.”

Benjamin Graham

Economista e investidor americano, pai do value investing e mentor de Warren Buffett.

 

 

Juros & Bolsa Consultoria de Valores Mobiliários Ltda.

Consultoria fee based | Registro CVM | jurosebolsa.com.br

Este material é de caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.

Keep Reading