Nesta edição

 🏦  Copom se reúne hoje e amanhã: mercado espera corte de 0,25 ponto na Selic

📋  Focus revisado: IPCA sobe para 4,10% e Selic projetada a 12,25% ao fim de 2026

🏛️  Tesouro Nacional cancela leilões e recompra R$ 12,1 bi em títulos para conter volatilidade

📈  IBC-Br sobe 0,8% em janeiro: atividade resiliente, mas ligeiramente abaixo do esperado

📊  Ibovespa recupera 1,25% na segunda-feira; dólar recua para R$ 5,23

🛢️  Petróleo cede com esperança de normalização do Estreito de Ormuz, mas segue em nível de estresse

  

O contexto da semana

O Brasil acorda nesta terça-feira com o mercado em compasso de espera. O Copom se reúne hoje e amanhã para definir a Selic, e a questão não é mais se haverá corte, mas qual será a magnitude e, principalmente, o que o comunicado vai sinalizar sobre os próximos passos. A decisão chega em um momento delicado: o petróleo ainda opera acima de US$ 100 por barril, a inflação projetada subiu e o Tesouro precisou intervir nos mercados de títulos públicos para conter a volatilidade da semana passada.

O pano de fundo é conhecido. A guerra no Irã, agora com mais de duas semanas de duração, criou um choque de custo global que forçou o mercado a rever suas apostas. Até poucos dias atrás, a expectativa majoritária era de um corte de 0,50 ponto percentual na Selic. A pressão inflacionária do petróleo mudou esse quadro: hoje, o consenso aponta para 0,25 ponto, levando a Selic de 15% para 14,75% ao ano.

Ao mesmo tempo, os dados de atividade econômica divulgados na segunda-feira mostram um início de 2026 com certa resiliência: o IBC-Br de janeiro avançou 0,8%, puxado por serviços e indústria. O resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas, mas não sinaliza deterioração. O quadro completo, portanto, é de economia ainda rodando, política monetária cautelosa e cenário externo que exige humildade nas projeções.

 

 

🏦 POLÍTICA MONETÁRIA

Copom decide hoje: mercado converge para corte de 0,25 ponto na Selic

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil se reúne nesta terça (17) e quarta-feira (18) para deliberar sobre a Selic. A taxa está atualmente em 15% ao ano, o nível mais alto desde julho de 2006. A reunião era aguardada há meses como o início de um ciclo de afrouxamento monetário, mas o contexto mudou.

Até a semana anterior, boa parte do mercado projetava um corte de 0,50 ponto percentual. Com a alta do petróleo pressionando as expectativas de inflação e gerando volatilidade nos mercados de juros, esse cenário foi descartado. O Boletim Focus desta semana consolidou a nova leitura: a expectativa é de redução de 0,25 ponto, levando a Selic para 14,75% ao ano. Uma ala minoritária, mas não insignificante, chegou a precificar a possibilidade de manutenção em 15%.

Além do tamanho do corte, a atenção do mercado estará voltada ao comunicado. O Copom deve indicar se o ciclo terá continuidade nos próximos meses e em qual ritmo. Em um ambiente externo ainda volátil, qualquer linguagem que sinalize maior cautela do que o esperado pode mover a curva de juros de forma relevante.

Por que isso importa para você?  Para quem tem títulos pré-fixados ou atrelados ao IPCA na carteira, a decisão do Copom e, sobretudo, sua comunicação vão pautar o comportamento desses ativos nas próximas semanas. Quem está em títulos pós-fixados (Selic ou CDI) segue protegido e se beneficia do carrego elevado enquanto a taxa permanece alta.

 

📋 ECONOMIA

Focus revisado: IPCA projeta 4,10% e Selic ao fim de 2026 sobe para 12,25%

O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (16) trouxe revisões relevantes em relação à semana anterior. A projeção para o IPCA ao final de 2026 subiu de 3,91% para 4,10%. A estimativa ainda se mantém dentro do intervalo de tolerância da meta, que tem centro em 3% e margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, mas a trajetória de alta das expectativas é um sinal que o Banco Central não pode ignorar.

Para a Selic ao fim de 2026, a estimativa passou de 12,13% para 12,25% ao ano. A revisão indica que o mercado espera um ciclo de cortes mais gradual do que vinha sendo precificado até a semana passada. Para 2027, a projeção de inflação permanece em 3,80%. A trajetória do câmbio também foi ajustada: o mercado projeta o dólar em R$ 5,40 ao final de 2026, com pequena melhora frente à semana anterior.

A inflação de fevereiro, divulgada pelo IBGE, fechou em 0,70% no mês, acelerando em relação ao 0,33% de janeiro. O acumulado em 12 meses chegou a 3,81%. O principal driver foi o grupo de transportes e educação. O número, combinado com a alta do petróleo, justifica a cautela das instituições financeiras ao revisar suas projeções.

Por que isso importa para você?  IPCA projetado em 4,10% com Selic caindo para 12,25% ao fim do ano significa um juro real ex-ante ainda superior a 7% ao ano. Para o investidor de renda fixa, esse continua sendo um ambiente favorável para títulos pós-fixados e IPCA+ de prazos mais curtos, com cautela em pré-fixados longos diante da incerteza.

 

🏛️ RENDA FIXA

Tesouro cancela leilões e recompra R$ 12,1 bi em títulos para conter volatilidade

Na segunda-feira (16), o Tesouro Nacional anunciou o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos indexados à inflação (NTN-B) e prefixados (LTN e NTN-F) previstos para esta semana. Os leilões cancelados eram: NTN-Bs na terça-feira (17) e prefixados na quinta-feira (19). O leilão de LFT, atrelada à Selic, foi mantido para hoje.

Em paralelo, o Tesouro realizou operações de recompra de títulos no mercado secundário, adquirindo 7,25 milhões de papéis em um volume financeiro de aproximadamente R$ 12,1 bilhões. A medida incluiu LTNs com vencimentos entre 2028 e 2032, a taxas entre 13,58% e 14,005% ao ano. A intervenção é uma ferramenta reservada a momentos de estresse agudo na curva de juros, de uso pouco frequente.

O resultado foi uma redução das taxas dos papéis prefixados em relação ao fechamento de sexta-feira. O Tesouro Prefixado 2029 recuou de 13,90% para 13,73% ao ano, e o Prefixado 2032 passou de 14,25% para 14,07%. No segmento mais longo, o Tesouro IPCA+ 2050 teve leve alta de 7,00% para 7,06%, indicando cautela residual no longo prazo.

Por que isso importa para você?  A recompra de títulos pelo Tesouro traz alívio técnico para quem carrega papéis prefixados e IPCA+ na carteira: reduz a pressão de desvalorização de curto prazo. Para quem estava pensando em entrar nesses papéis, as taxas ainda estão em patamares elevados historicamente, mas o cenário externo ainda incerto recomenda avaliação cuidadosa do prazo e do perfil de risco antes de qualquer alocação.

 

📈 ECONOMIA

IBC-Br avança 0,8% em janeiro: atividade segura, mas abaixo do esperado

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que funciona como uma prévia mensal do PIB, registrou alta de 0,80% em janeiro de 2026 na comparação com dezembro, na série dessazonalizada. O resultado ficou abaixo da mediana das expectativas do mercado, que apontava para 0,85% a 0,95%, mas não configura surpresa negativa relevante.

Os setores de serviços (+0,8%) e indústria (+0,4%) sustentaram o resultado. A agropecuária recuou 1,5% no mês, limitando o avanço do índice geral. Excluindo o setor agropecuário, o IBC-Br teria avançado 0,9%, o que ilustra a resiliência do restante da atividade. No acumulado de 12 meses, o indicador aponta crescimento de 2,3%.

Economistas de mercado avaliam que o primeiro trimestre de 2026 deve trazer sinais de reaceleração do crescimento, com apoio do consumo, da agropecuária (em recuperação sazonal) e de segmentos mais exógenos da economia. A perspectiva do mercado para o PIB de 2026 está em torno de 1,83%.

Por que isso importa para você?  Um início de ano com atividade econômica positiva é um dado que o Copom considera ao calibrar o ritmo de cortes. Uma economia ainda crescendo, mesmo que em ritmo moderado, reduz a urgência de um afrouxamento monetário acelerado. Para o investidor, isso reforça a leitura de que os juros permanecerão em patamar elevado por tempo mais longo do que se imaginava no início do ano.

 

📊 RENDA VARIÁVEL

Ibovespa recupera 1,25% e dólar recua para R$ 5,23 com alívio externo

Na segunda-feira (16), o Ibovespa encerrou em alta de 1,25%, aos 179.875 pontos, interrompendo uma sequência de três quedas que havia acumulado declínio superior a 3%. O volume financeiro do pregão ficou em R$ 22,7 bilhões, abaixo da média diária do ano de R$ 34,6 bilhões, indicando cautela dos participantes mesmo em uma sessão de recuperação.

O dólar recuou 1,62% e fechou a R$ 5,23 na venda, depois de ter atingido R$ 5,32 na sexta-feira anterior. O movimento acompanhou o recuo da moeda americana ante divisas de outros países emergentes, como peso chileno, rand sul-africano e peso mexicano. No ano, o dólar acumula queda de 4,71% frente ao real.

Analistas de mercado avaliaram que o desempenho dos ativos na segunda-feira foi mais uma adaptação ao conflito do que uma mudança de cenário. O petróleo, embora tenha recuado, permanece na casa dos US$ 100, ainda em nível de estresse. As ações que mais contribuíram para a alta do Ibovespa foram Petrobras (PETR4), Vale (VALE3) e Prio (PRIO3).

Por que isso importa para você?  A recuperação de segunda-feira deve ser lida com cautela. A sessão foi influenciada por ajustes técnicos e pela esperança de normalização do Estreito de Ormuz, não por mudança estrutural de cenário. Para carteiras com exposição em renda variável, o momento recomenda disciplina na alocação e resistência a movimentos reativos.

 

🛢️ INTERNACIONAL

Petróleo recua levemente com esperança no Estreito de Ormuz, mas risco segue

O petróleo Brent cedeu na segunda-feira, refletindo a esperança de que navios-tanque estariam encontrando alternativas para transitar pelo Estreito de Ormuz, ponto estratégico por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo. A perspectiva de liberação de reservas estratégicas por países consumidores também contribuiu para o alívio.

Ainda assim, o preço permanece próximo de US$ 100 por barril, nível considerado de estresse pelos participantes do mercado. Na semana anterior, o barril havia chegado a US$ 103. A ameaça iraniana de atacar navios no Estreito de Ormuz permanece no radar e qualquer escalada pode reverter rapidamente o movimento de queda.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, reiterou a expectativa de que o conflito tenha fim em breve. Enquanto isso não ocorre, o mercado opera com prêmio de risco elevado embutido nos contratos de energia. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto americano, admitiu que os objetivos militares no Irã levarão tempo para ser alcançados, sinalizando que a resolução não é iminente.

Por que isso importa para você?  Petróleo acima de US$ 100 por período prolongado tem efeito inflacionário em cadeia: combustíveis, fretes, insumos industriais e alimentos. Para o investidor brasileiro, o canal de transmissão mais direto é o IPCA, o que pode postergar o ritmo de cortes da Selic. Quem tem posições em fundos com exposição a commodities energéticas deve monitorar a evolução do conflito com atenção.

 

Agenda do dia

 Brasil: início da reunião do Copom (resultado na quarta-feira, 18); leilão de LFT pelo Tesouro Nacional; divulgação do Imposto de Renda 2026 pelo Ministério da Fazenda.

EUA: produção industrial de fevereiro (previsão de alta de 0,2%); início da reunião do Federal Reserve (resultado na quarta-feira, 18).

Europa: bolsas operando com cautela após leve recuperação na segunda-feira; BCE em compasso de espera.

Corporativo: Lavvi (LAVVI3) paga hoje a primeira parcela de dividendos de R$ 0,15 por ação; Petrobras (PETR4) paga na sexta-feira (20) a segunda parcela de dividendos de R$ 0,47 por ação.

 

Perspectiva Juros & Bolsa

A decisão do Copom desta semana será um teste de comunicação tanto quanto de política monetária. Com o mercado já convergido para 0,25 ponto de corte, o que vai mover os ativos é o tom do comunicado: se sinalizará continuidade do afrouxamento em ritmo gradual ou se adotará postura mais aberta e condicionada à evolução do cenário externo. Qualquer linguagem mais hawkish do que o esperado pode reabrir a discussão sobre o patamar final da Selic em 2026.

Para o investidor de alta renda, a mensagem prática deste ambiente é simples: o ciclo de queda de juros começou, mas será mais lento do que se imaginava no início do ano. Isso favorece posições pós-fixadas por mais tempo, exige cautela em prefixados longos e mantém a lógica de diversificação internacional como proteção estrutural de carteira.

 

“Na incerteza, prefira a liquidez. Não é rendimento que falta, é julgamento.”

Howard Marks

Cofundador da Oaktree Capital Management e referência global em gestão de risco e ciclos de mercado.

 

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