O Diário Juros & Bolsa existe por um motivo simples: eu acredito que você merece entender o que está acontecendo no mercado sem precisar garimpar informação em dez lugares diferentes, sem alarmismo e sem sensacionalismo. Toda edição traz os temas que realmente importam para o seu patrimônio, explicados de forma direta. Nada aqui é motivo de susto. É só informação de qualidade, na hora certa.

Nesta edição

🛢️  Petróleo despenca 13%: Trump adia ataques e mercado respira

📋  Focus de hoje: projeções de inflação devem subir mais uma vez

🏦  Ata do Copom na terça: o que o Banco Central não disse no comunicado

📊  Ibovespa em 176 mil e dólar a R$ 5,31: o que aconteceu na semana passada

📋  IR 2026 começa hoje: o que você precisa saber

🗓️  O que acompanhar nesta semana

  

Bom dia.

A maior notícia desta manhã não veio de Brasília. Veio de Washington. Trump anunciou que vai adiar qualquer ataque à infraestrutura de energia do Irã. O petróleo Brent, que abriu a semana acima de US$ 110, despencou mais de 13% e chegou a US$ 96 por barril na mínima do dia.

Para quem acompanhou a semana passada, quando o Brent tocou US$ 119, esse recuo parece alívio. E é. Mas a guerra continua. O Estreito de Ormuz segue restrito. E o mercado já aprendeu que cada declaracão de Trump pode virar de cabeça para baixo em 24 horas.

Além do petróleo, esta é uma semana densa de informação. Hoje sai o Focus. Na terça, a ata do Copom. Na quinta, o IPCA-15 e o Relatório Trimestral de Inflação. E hoje também abre o prazo do Imposto de Renda 2026. Vou te explicar o que cada um desses eventos significa.

  

🛢️  INTERNACIONAL

Trump adia ataques e petróleo despenca 13% nesta manhã

O presidente dos EUA declarou neste domingo que vai adiar qualquer ataque às usinas elétricas e à infraestrutura de energia do Irã. A reação foi imediata: o Brent abriu a semana acima de US$ 110 e caiu para a faixa de US$ 96 a US$ 103 ao longo da manhã.

O recuo é real. Mas o contexto não mudou. O Estreito de Ormuz segue com restrições severas ao tráfego. A guerra entrou no 24º dia. E a ameaça de ataques à infraestrutura não foi descartada, apenas adiada. O mercado opera com cautela.

O Barclays elevou sua projeção para o Brent em 2026 para US$ 84 por barril e estima que cerca de 8 milhões de barris por dia de produção foram interrompidos em todo o Oriente Médio. Isso não se resolve com um tuíte.

Em termos práticos:  Petróleo mais baixo hoje é uma boa notícia para a inflação. Mas um único recuo não muda a tendência. Combustíveis, fretes e alimentos ainda sentem o efeito dos útimos 24 dias de guerra. O IPCA de março vai começar a capturar isso.

 

📋  ECONOMIA

Focus de hoje: projeções de inflação devem subir mais uma vez

O Boletim Focus é uma pesquisa semanal do Banco Central com cerca de cem instituições financeiras. Ele mede o que o mercado espera para inflação, juros, PIB e câmbio. Quando as projeções sobem, o Banco Central fica mais cauteloso para cortar juros.

O Focus de 16 de março já havia elevado o IPCA projetado para 2026 de 3,91% para 4,10%. Mas aquele número ainda não capturava o comunicado do Copom, as falas de Powell nem os ataques a refinarias da semana passada. O Focus de hoje sim.

A expectativa é de nova alta nas projeções de inflação, possivelmente acima de 4,20% para 2026. A Selic terminal também deve ser revisada para cima. O recuo do petróleo esta manhã pode atenuar um pouco esse movimento.

Em termos práticos:  Quando o Focus sobe, os juros ficam altos por mais tempo. Quem tem aplicações pós-fixadas atreladas ao CDI ou à Selic se beneficia: o rendimento mensal permanece elevado por período mais longo. Já quem tem títulos com marcação a mercado, como Tesouro Pré-fixado, CRI, CRA e debêntures, pode ver o valor de mercado recuar no curto prazo. CDBs pré-fixados não são afetados: a taxa já está travada até o vencimento.

 

🏦  POLÍTICA MONETÁRIA

Ata do Copom na terça: o que o Banco Central deixou sem resposta

Na semana passada, o Copom cortou a Selic de 15% para 14,75%. A decisão era esperada. O que surpreendeu foi o comunicado: nenhuma sinalização sobre o que o Banco Central faz em abril. O mercado esperava mais clareza. Não veio.

A ata sai na terça (24) e é mais detalhada do que o comunicado. É lá que o Copom explica o raciocínio por trás da decisão. O mercado vai buscar três coisas: por que 0,25 e não 0,50? O colegiado discutiu uma pausa em abril? E qual o peso do cenário fiscal na decisão, já que o governo anunciou R$ 88 bilhões em gastos extras na mesma semana?

Com o petróleo recuando hoje, a ata pode soar um pouco menos restritiva do que o mercado temia na sexta-feira. Mas isso depende de como a situação no Oriente Médio evoluir até lá.

Em termos práticos:  A ata do Copom vai definir o ritmo dos próximos cortes de juros. Isso afeta diretamente o rendimento dos títulos de renda fixa, especialmente os prefixados e os atrelados ao IPCA. Um tom mais cauteloso do que o esperado pode reduzir o valor de mercado desses papéis no curto prazo.

 

📊  MERCADOS

Ibovespa em 176 mil e dólar a R$ 5,31: entendendo o que aconteceu

O Ibovespa fechou a semana passada em 176.219 pontos, a quarta semana consecutiva de queda. Em março, o índice acumula recuo de 6,66%. No ano, ainda sobe 9,37%. A máxima histórica foi 192.623 pontos, registrada em 25 de fevereiro.

O dólar fechou a sexta em R$ 5,31. Em março, subiu 3,55%, revertendo parte da queda acumulada no primeiro bimestre. Quando o mundo fica incerto, o dólar sobe. Sempre foi assim.

O recuo do petróleo esta manhã abre espaço para uma recuperação técnica do Ibovespa nesta segunda. Mas a direção da semana vai depender muito da ata do Copom na terça e do IPCA-15 na quinta.

Em termos práticos:  Quatro semanas de queda seguidas geram desconforto. É natural. Mas quedas de curto prazo fazem parte de qualquer ciclo de mercado. Uma carteira bem construída foi pensada exatamente para atravessar períodos como este.

 

📋  TRIBUTÁRIO

IR 2026 começa hoje: o que você precisa saber

O prazo de entrega da declaração do Imposto de Renda 2026 abriu hoje, às 8h. O prazo final é 29 de maio. A Receita Federal espera receber 44 milhões de declarações. O programa já estava disponível para download desde sexta-feira.

É obrigado a declarar quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025, teve rendimentos isentos acima de R$ 200 mil, realizou operações em bolsa acima de R$ 40 mil ou possuía bens acima de R$ 800 mil em 31 de dezembro de 2025.

Duas novidades úteis este ano: a declaração pré-preenchida já está disponível desde hoje, com mais dados automáticos do que em anos anteriores. E quem usa a pré-preenchida com restituição via Pix tem prioridade no pagamento, com o primeiro lote saindo em 29 de maio.

Em termos práticos:  Além de uma obrigação, a declaração do IR é uma oportunidade de revisão do planejamento tributário: perdas compensáveis em renda variável, isenções de LCI, LCA e dividendos, e atualização dos valores de bens e direitos. Quem tem uma consultoria fee based sai na frente: sem conflito de interesse, o foco é exclusivamente no patrimônio do cliente.

 

🗓️  AGENDA

O que acompanhar nesta semana

Hoje (23): Focus do Banco Central, às 8h25. Novas projeções de inflação, juros, PIB e câmbio. É o primeiro Focus que captura o efeito completo da guerra e do Copom.

Terça (24): Ata do Copom. O documento mais importante da semana para quem tem renda fixa. Também saem os PMIs de indústria e serviços dos EUA, que medem o ritmo da atividade americana em março.

Quinta (26): IPCA-15 e Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central. A prévia da inflação de março e as projeções atualizadas do próprio BC para IPCA, PIB e juros. São dois documentos para ler juntos. Sexta (27): taxa de desemprego de fevereiro pelo IBGE.

Em termos práticos:  Esta semana tem três eventos que podem mudar o ritmo dos cortes de juros no Brasil: o Focus hoje, a ata na terça e o IPCA-15 na quinta. Lidos juntos, vão dizer muito sobre o que esperar de abril em diante.

 

Perspectiva Juros & Bolsa

O recuo do petróleo esta manhã é bem-vindo. Mas na minha leitura, uma declaração de Trump não muda o diagnóstico estrutural: a guerra continua, a infraestrutura energética do Golfo foi danificada, e o Estreito de Ormuz ainda opera sob restrições. O mercado vai continuar volátil.

O investidor que tem uma carteira bem estruturada e uma estratégia de longo prazo não precisa mudar nada agora. Precisa entender o que está acontecendo. É para isso que estou aqui. Acompanhamos tudo e trazemos o que for relevante na próxima edição.

O Diário Juros & Bolsa vai direto ao ponto.

Direto ao ponto, sem alarme, sem viés. Nos vemos amanhã. (Este material é informativo e não constitui recomendação de investimento.)

Até amanhã.

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